Com o envelhecimento, é comum surgirem diferentes condições de saúde que precisam ser tratadas simultaneamente. Por isso, muitos idosos utilizam vários medicamentos todos os dias — situação conhecida como polifarmácia, geralmente definida como o uso concomitante de cinco ou mais medicamentos.
Isso, por si só, não significa um problema. Quando bem indicados, os medicamentos controlam doenças, aliviam sintomas, previnem complicações e contribuem para preservar a qualidade de vida e a autonomia.
O risco surge quando há medicamentos desnecessários ou potencialmente inapropriados, doses inadequadas, interações entre diferentes fármacos ou tratamentos que já não correspondem às necessidades e aos objetivos atuais daquela pessoa.
Os eventos adversos relacionados a medicamentos estão entre as causas evitáveis de procura por serviços de emergência e hospitalizações, especialmente entre pessoas idosas, que podem apresentar maior vulnerabilidade aos efeitos dos fármacos.
Alguns problemas associados à polifarmácia incluem:
- tontura, sonolência e confusão mental;
- quedas e fraturas;
- hipotensão;
- alterações renais e distúrbios eletrolíticos;
- interações medicamentosas;
- dificuldade para organizar e seguir corretamente o tratamento;
- uso de um novo medicamento para tratar um efeito adverso causado por outro — fenômeno conhecido como cascata de prescrição.
Além disso, uma prescrição adequada deve considerar não apenas as doenças existentes, mas também funcionalidade, cognição, fragilidade, expectativa de benefício, preferências e objetivos de cuidado.
A importância da revisão periódica dos medicamentos
A lista de medicamentos não deve ser considerada definitiva. Ela precisa ser revista periodicamente, principalmente após internações, surgimento de novos sintomas, mudanças no estado de saúde ou inclusão de novos tratamentos.
Durante essa revisão, o médico pode avaliar:
- se cada medicamento ainda possui uma indicação;
- se a dose permanece adequada;
- se existem duplicidades ou interações;
- se algum medicamento pode estar causando sintomas;
- e se há tratamentos que podem ser reduzidos ou suspensos com segurança.
Esse processo é chamado de desprescrição. Não significa simplesmente “retirar medicamentos”, mas identificar, de forma individualizada e planejada, aqueles cujo risco passou a superar o benefício.
Na Geriatria, o objetivo não é utilizar o menor número possível de medicamentos, e sim garantir que cada medicamento tenha uma indicação clara, benefício esperado e segurança para aquela pessoa naquele momento da vida.
Se você ou seu familiar utiliza vários medicamentos, leve sempre uma lista atualizada — incluindo vitaminas, suplementos e medicamentos utilizados sem receita — às consultas. Uma revisão cuidadosa pode tornar o tratamento mais simples, seguro e adequado às prioridades de cada paciente.